Hoje foi o primeiro dia útil aqui de casa pós-cirurgia. Isso significa que o filho foi para a escola, o marido foi pro trabalho e eu fiquei sozinha. Foi estranho estar sozinha em casa, com tanta coisa ao meu redor e o meu universo diminuído.
Acordei quando eles saíram cedo, mas depois me mantive deitada treinando a minha estratégia de dormir bastante para o tempo passar sem eu perceber. O objetivo inicial é chegar logo na quinta-feira; já disse, né? Depois vou treinando meus objetivos até chegar na tão sonhada dieta pastosa.
Por conta dessa nova rotina tenho muitas expectativas. A primeira, claro, é emagrecer A OLHOS VISTOS. Isso significa que todos os dias eu acordo, levanto a blusa em frente ao espelho e fico olhando as marcas da cirurgia para ver se elas já mudaram de lugar, ou seja, se minha barriga está diminuindo. Claro que com isso eu apenas me decepciono, porque, por mais que eu tenha visto que perdi 3 quilos em 3 dias, não faz a menor diferença.
A Karine, minha amiga que já fez essa cirurgia há 5 anos, passa o dia me falando para não me pesar. Por experiência própria ela diz para eu prestar atenção nas roupas que uso e, claro, fazer isso mais daqui pra frente. Eu sei que ela está certa. Claro que eu sei. Mas a ansiedade é uma coisa difícil de conter. Ainda mais quando a pessoa é teimosa como eu.
Assim que eu saí da sala de cirurgia a minha sogra me ligou perguntando se eu estava bem. Aí, quando estávamos conversando ela me perguntou: "e aí, Dezinha, você já está magra?" Comecei a rir de nervoso, por que, né? Além de eu estar nessa pilha, não preciso de mais ninguém fazendo esse tipo de pergunta. Depois me dei conta de que é natural. Muita gente tem me mandado mensagem perguntando quantos quilos eu já perdi. E eu penso: "não tenho nem uma semana de operada ainda!"
Acredito que esta expectativa seja algo constante na vida de pessoas que fazem essa cirurgia. A vida muda muito e as pessoas - assim como sua consciência - sempre estarão de olho para ver o que tá rolando. O ser humano é assim, não tem jeito.
Outra expectativa que tem me deixando apreensiva é o medo. Não tem como dizer que não tem medo depois da cirurgia. Entrei na operação com medo de morrer. Agora tenho medo de alguma coisa que eu tô tomando "vazar" lá dentro, dar uma infecção e eu morrer. O medo da morte é uma coisa que me acompanha, por isso, tenho feito tudo mil vezes certo. Só tomo o que pode, na hora que pode. E assim será até quando for preciso.
Neste meu primeiro dia útil fiquei na minha rotina conhecida de pequenos goles e leves caminhadas. Foi difícil ver o filho chegando da escola e ver minha mãe chegar para fazer almoço para ele porque as pessoas têm medo de me ver perto da comida. Ele sentou para comer um prato de macarrão com salsicha e eu pensei: "deve estar menos gostoso do que o meu caldo de frango". A cabeça da gente é uma coisa complicada de trabalhar e eu fico feliz em perceber que eu estou sabendo quais são as minhas dificuldades. Não tenho mascarado nada, nem passado por cima. Encaro de frente e assumo que todo ônus e bônus são resultados da minha decisão.
Amanhã eu tenho retorno com o cirurgião para ver os pontos e o pós-operatório. Quero falar amanhã com ele também sobre as expectativas e o decorrer dos próximos dias. Trabalhar a ansiedade é um processo natural para mim há 33 anos, mas que vem sendo aperfeiçoado nesses últimos dias. Eu sei que vou conseguir porque EU QUERO, EU POSSO, EU SOU.
Quando eu tiver novidades do cirurgião, virei aqui contar. E amanhã eu também falarei aqui sobre as injeções e os medicamentos que estou tomando.
Beijos magros,
Dê
Se eu estou Ansiosa, imagina vc
ResponderExcluirRsrsrs